
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou procedimento investigatório para apurar a suposta participação do ex-deputado federal Geddel Vieira Lima (MDB) em um esquema de pagamento de propina relacionado à fuga de um líder criminoso no sul do estado. A investigação aponta suspeita de recebimento de R$ 1 milhão no contexto de uma trama que levou à evasão do traficante Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, ligado ao Comando Vermelho.
As suspeitas surgem a partir de diálogos extraídos de celulares apreendidos durante a Operação Duas Rosas. As conversas envolvem o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, que firmou acordo de delação premiada. Nas mensagens, Geddel é citado como “chefe” pelos interlocutores.
Segundo o Ministério Público, há indícios de que parte de uma suposta propina de R$ 2 milhões, destinada à execução do plano de fuga, teria sido repartida entre os envolvidos, com menção a um possível repasse ao ex-ministro. A fuga ocorreu em 12 de dezembro de 2024 e envolveu, além de “Dadá”, outros 15 detentos.
A investigação busca esclarecer se Geddel Vieira Lima teve participação direta no esquema ou se foi beneficiário de valores ilícitos. O procedimento instaurado, conhecido como Procedimento Investigatório Criminal (PIC), também apura a relação entre o ex-deputado e Uldurico Júnior, que foi preso durante a operação em um hotel na Praia do Forte.
O nome da operação faz referência ao valor estimado da vantagem indevida — cerca de R$ 2 milhões — que teria sido negociada para viabilizar a fuga. Parte desse montante, conforme as apurações, teria sido destinada a diferentes agentes envolvidos no plano.
Procurados, Geddel Vieira Lima e Uldurico Júnior ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto para posicionamentos.
As investigações continuam e podem resultar em novas medidas judiciais, a depender do avanço das apurações e da confirmação dos indícios levantados pelo Ministério Público.