
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), elevou o tom das críticas ao grupo político que governa a Bahia durante agenda realizada nesta ultima terça-feira (10), no bairro Daniel Lisboa. Em um discurso marcado por ataques ao ex-governador e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), defesa do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e cobranças sobre a Ponte Salvador-Itaparica, Bruno afirmou que o estado vive um cenário de desgaste administrativo após quase 20 anos de gestão petista.
A declaração ocorreu após Rui Costa comentar o incidente envolvendo a aeronave que transportava ACM Neto, o senador Angelo Coronel e o presidente estadual do PL, João Roma. Para Bruno, a postura adotada pelo ex-governador diante do episódio revelou falta de sensibilidade.
“Imagine um avião em queda livre por quase três minutos até o piloto conseguir estabilizar a aeronave e retornar para um local seguro. As falas de Rui Costa mostram exatamente quem ele é”, afirmou o prefeito.
Segundo Bruno, ele conversou com os ocupantes da aeronave logo após o incidente e destacou que a situação foi grave, embora tenha terminado sem vítimas.
Durante a agenda, o prefeito também analisou o cenário político para as eleições de 2026 e afirmou que a principal dificuldade enfrentada pelo governo estadual será o desgaste acumulado após duas décadas no comando da Bahia.
Bruno argumentou que problemas históricos continuam afetando áreas essenciais como segurança pública, saúde e educação, apesar do longo período de permanência do mesmo grupo político no poder.
“Vinte anos é tempo suficiente para apresentar resultados concretos. A população esperava avanços maiores e muitos problemas continuam sem solução”, declarou.
O prefeito também questionou os sucessivos empréstimos contratados pelo governo estadual ao longo dos últimos anos, defendendo maior transparência sobre a aplicação dos recursos.
A principal cobrança de Bruno Reis, porém, foi direcionada ao projeto da Ponte Salvador-Itaparica, considerada a maior obra de infraestrutura planejada para a Bahia.
Segundo o prefeito, apesar de o governo estadual ter anunciado o início das obras para o dia 4 de junho, a Prefeitura de Salvador ainda não recebeu os projetos executivos necessários para análise técnica e emissão das autorizações municipais.
“Disseram que as obras começariam em 4 de junho. Hoje já estamos no dia 10 e, até agora, nenhum projeto foi entregue à Prefeitura. Como iniciar uma obra desse porte sem cumprir as etapas necessárias?”, questionou.
A declaração reforça um debate que tem ganhado espaço no cenário político baiano diante dos sucessivos adiamentos do empreendimento, anunciado há mais de uma década como uma das principais intervenções estruturantes do estado.
Orçada em mais de R$ 10 bilhões, a Ponte Salvador-Itaparica é considerada estratégica para a integração econômica entre a capital e o Recôncavo Baiano. Entretanto, o projeto continua cercado por dúvidas e cobranças em relação aos prazos anunciados.
Para a oposição, a demora no início efetivo das obras alimenta a desconfiança da população e fortalece críticas à condução do empreendimento. Já o governo estadual sustenta que o projeto segue avançando dentro dos trâmites técnicos e contratuais necessários.
Enquanto o debate político se intensifica, a população segue aguardando o início daquela que é considerada uma das obras mais aguardadas da história recente da Bahia.