
A Procuradoria-Geral do Município de Salvador (PGMS) deu início a um processo de transformação digital que pretende modernizar a atuação do órgão por meio da adoção estratégica da inteligência artificial. Como parte dessa iniciativa, a instituição promoveu, nesta terça-feira (16), uma palestra sobre governança, ética e uso da tecnologia no setor público, reunindo procuradores, assessores técnicos e gestores municipais.
O evento foi realizado no Auditório Makota Valdina, localizado no Arquivo Público Municipal, no bairro do Comércio, e marcou uma das primeiras etapas do programa de modernização desenvolvido em parceria com a empresa LIOps Inovação Jurídica e Tecnologia.
A atividade foi conduzida pelos consultores Alexandre Colares e Marcelo Feitosa, especialistas em inovação jurídica e transformação digital. Também participaram representantes da Casa Civil e das secretarias municipais de Governo (Segov), Gestão (Semge) e Inovação e Tecnologia (Semit), além de integrantes de outros órgãos da administração municipal.
Durante a abertura do encontro, o procurador-geral do município, Eduardo Vaz Porto, ressaltou que a incorporação da inteligência artificial exige planejamento, governança e preparação das equipes responsáveis pela utilização das novas ferramentas.
Segundo ele, a iniciativa representa um passo importante para a modernização da Procuradoria e para a melhoria dos serviços prestados à população.
“Não se trata apenas de um evento institucional, mas de uma verdadeira virada de chave no nosso planejamento para a necessária transformação digital. Nenhuma tecnologia funciona sem o engajamento das pessoas. Por isso, estamos promovendo esse debate sobre ética, governança e segurança no uso da inteligência artificial”, afirmou.
O procurador-geral destacou ainda que a instituição pretende evitar erros comuns observados em processos de modernização no setor público.
“Um dos maiores equívocos é implementar tecnologia antes de definir uma estratégia. Estamos fazendo o caminho inverso, organizando processos e alinhando objetivos para garantir que a inovação resulte em mais eficiência, agilidade e melhores entregas para a sociedade”, completou.
Ao longo da palestra, os consultores apresentaram os principais desafios relacionados à adoção da inteligência artificial em órgãos públicos e defenderam a construção de modelos sólidos de governança antes da implementação de novas soluções tecnológicas.
Alexandre Colares explicou que a metodologia aplicada pela consultoria está baseada em três pilares considerados fundamentais para o sucesso da transformação digital: governança, gestão e tecnologia.
“Antes de qualquer avanço tecnológico, a organização precisa compreender seus processos, definir prioridades e entender claramente quais resultados deseja alcançar. A tecnologia deve ser utilizada como ferramenta para gerar valor à sociedade e aprimorar os serviços públicos”, afirmou.
Segundo o consultor, a próxima fase do projeto será dedicada ao diagnóstico institucional e ao mapeamento dos processos internos da Procuradoria, etapa que servirá de base para a elaboração de um plano de implementação da inteligência artificial.
A proposta prevê a construção de um roadmap, ou plano estratégico, para incorporar a inteligência artificial aos principais fluxos de trabalho da Procuradoria, especialmente em áreas capazes de gerar ganhos de produtividade, eficiência e qualidade nos serviços prestados à população.
Para Marcelo Feitosa, a etapa atual é fundamental para preparar os servidores para as mudanças que ocorrerão ao longo do projeto.
“Estamos promovendo um processo de sensibilização para que toda a comunidade da Procuradoria compreenda as transformações previstas e participe ativamente dessa jornada de inovação”, destacou.
O consultor avaliou que a PGMS iniciou o processo em um momento oportuno para as procuradorias públicas, diante das mudanças provocadas pelo avanço acelerado das novas tecnologias.
“A atuação das procuradorias já é muito diferente daquela observada há poucos anos. A PGMS percebeu esse movimento e decidiu se preparar para acompanhar essa evolução, garantindo mais eficiência e melhores resultados para a administração pública”, concluiu.