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Endividamento dispara e atinge 81,6% das famílias brasileiras e expõe crise do crédito no país

Pesquisa da CNC aponta quinto mês seguido de alta e revela recorde histórico na dependência de crédito das famílias, com cartão de crédito liderando inadimplência

Redação
Por: Redação
11/06/2026 às 07h19 Atualizada em 11/06/2026 às 08h08
Endividamento dispara e atinge 81,6% das famílias brasileiras e expõe crise do crédito no país
Foto: Divulgação

O nível de endividamento das famílias brasileiras voltou a subir e atingiu um novo recorde histórico em maio, alcançando 81,6% da população, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O dado representa o quinto mês consecutivo de alta e acende um alerta sobre o crescente uso do crédito no país, especialmente em modalidades de alto custo, como o cartão de crédito, principal responsável pelo endividamento das famílias.

Em abril, o índice já era elevado, de 80,9%, o que evidencia a continuidade da tendência de deterioração da saúde financeira dos consumidores brasileiros.

Cartão de crédito lidera pressão sobre orçamento

De acordo com a pesquisa, o cartão de crédito segue como a principal forma de dívida entre os brasileiros, sendo utilizado por grande parte das famílias endividadas, o que reforça a dependência de crédito rotativo e juros elevados.

O levantamento aponta que 84,6% das famílias com dívidas utilizam essa modalidade, considerada uma das mais caras do mercado financeiro.

Economistas avaliam que esse cenário cria um ciclo difícil de romper, em que o consumidor utiliza o crédito para cobrir despesas básicas e acaba acumulando encargos cada vez maiores.

Inadimplência cresce entre famílias de baixa renda

O impacto do endividamento é ainda mais forte entre as famílias com menor renda. Segundo a CNC, a inadimplência entre os que recebem até três salários mínimos chegou a 38,6%, demonstrando maior vulnerabilidade desse grupo às condições do crédito.

O percentual de famílias que se consideram “muito endividadas” também aumentou e atingiu 17%, o maior nível desde junho de 2024.

O avanço desses indicadores reforça um cenário de aperto financeiro e redução do poder de consumo das famílias, com reflexos diretos na economia.

Alerta sobre sustentabilidade do crédito

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o aumento contínuo do endividamento exige atenção e medidas de proteção ao consumidor.

Segundo ele, o avanço das dívidas atinge principalmente famílias de menor poder aquisitivo, mais expostas às taxas de juros elevadas e ao atraso nos pagamentos.

“É preciso garantir que o consumidor possa renegociar essas dívidas e recuperar seu fôlego financeiro”, afirmou.

Cenário preocupa economia

O crescimento do endividamento em ritmo constante levanta preocupações sobre a sustentabilidade do consumo no país. Com maior parte da renda comprometida com dívidas, especialistas apontam tendência de retração no consumo e maior dificuldade de recuperação econômica no curto prazo.

Enquanto isso, o Brasil segue registrando níveis recordes de dependência de crédito, em um cenário que expõe a fragilidade do orçamento das famílias e o peso crescente dos juros no dia a dia da população.

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