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Exportações da Bahia recuam 6,1% em maio e registram pior desempenho do ano

Queda nos embarques de combustíveis, celulose e produtos químicos impacta resultado; participação dos Estados Unidos nas vendas baianas também diminui

Redação
Por: Redação
10/06/2026 às 08h36
Exportações da Bahia recuam 6,1% em maio e registram pior desempenho do ano
Foto: Jean Vagner/SEI

As exportações baianas registraram novo recuo em maio e alcançaram o pior resultado mensal de 2026. Segundo dados analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), as vendas externas do estado somaram US$ 815,7 milhões no período, representando uma queda de 6,1% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O desempenho negativo foi influenciado pela combinação de menor volume embarcado, que recuou 5,8%, e pela redução dos preços médios dos produtos exportados, que apresentaram retração de 0,29%.

Os dados foram elaborados a partir da base estatística da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Refino de petróleo lidera retração das exportações

O principal impacto veio do setor de refino de petróleo, que registrou uma expressiva queda de 83,1% no volume embarcado apenas no mês de maio.

De acordo com a análise econômica, o resultado foi influenciado por paradas programadas para manutenção nas unidades industriais e também pela taxação das exportações de petróleo e derivados adotada pelo governo federal em março. A medida teve como objetivo garantir o abastecimento interno em meio às oscilações provocadas pela crise internacional do petróleo e pelo aumento da demanda doméstica.

No acumulado do ano, o volume total exportado pela Bahia já apresenta retração de 5,7%.

Além do refino, outros setores estratégicos também registraram queda nos embarques, entre eles:

  • Celulose: -6,5%;
  • Produtos químicos: -8,4%;
  • Derivados de cacau: -14,9%.

Agropecuária impulsiona resultado e evita queda maior

Na contramão dos setores industriais, a agropecuária apresentou forte crescimento. O valor exportado pelo segmento aumentou 26,9% na comparação com maio de 2025, impulsionado principalmente pelas vendas de soja.

O desempenho positivo do agronegócio ajudou a compensar parcialmente as perdas registradas pela indústria de transformação e pela indústria extrativa.

No setor mineral, as exportações foram impactadas pela redução das vendas de minério de cobre e níquel. O destaque positivo ficou por conta do ouro, que segue valorizado no mercado internacional diante das tensões geopolíticas, das incertezas econômicas globais e do aumento das compras realizadas por bancos centrais ao redor do mundo.

Participação dos Estados Unidos nas exportações baianas diminui

Outro dado que chamou atenção foi a redução da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora da Bahia.

Mesmo após a suspensão judicial de tarifas adicionais de importação impostas anteriormente pela administração do ex-presidente Donald Trump, o mercado norte-americano perdeu espaço entre os principais destinos dos produtos baianos.

A participação dos EUA caiu de 8% para 6,3% no acumulado até maio, indicando um enfraquecimento da presença baiana naquele mercado.

O cenário pode se tornar ainda mais desafiador caso avance a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que discute a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Caso a medida seja aprovada após o período de consulta pública, encerrado em 5 de julho, especialistas avaliam que cerca de 21% das exportações baianas destinadas ao mercado americano poderão ser afetadas.

Cenário exige atenção

A combinação entre redução dos embarques industriais, incertezas no comércio internacional e possíveis novas barreiras tarifárias nos Estados Unidos coloca desafios importantes para a economia baiana nos próximos meses.

Embora o agronegócio tenha contribuído para amenizar as perdas, o desempenho das exportações continuará dependendo da recuperação dos setores industriais e da evolução das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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