
As exportações baianas registraram novo recuo em maio e alcançaram o pior resultado mensal de 2026. Segundo dados analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), as vendas externas do estado somaram US$ 815,7 milhões no período, representando uma queda de 6,1% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O desempenho negativo foi influenciado pela combinação de menor volume embarcado, que recuou 5,8%, e pela redução dos preços médios dos produtos exportados, que apresentaram retração de 0,29%.
Os dados foram elaborados a partir da base estatística da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O principal impacto veio do setor de refino de petróleo, que registrou uma expressiva queda de 83,1% no volume embarcado apenas no mês de maio.
De acordo com a análise econômica, o resultado foi influenciado por paradas programadas para manutenção nas unidades industriais e também pela taxação das exportações de petróleo e derivados adotada pelo governo federal em março. A medida teve como objetivo garantir o abastecimento interno em meio às oscilações provocadas pela crise internacional do petróleo e pelo aumento da demanda doméstica.
No acumulado do ano, o volume total exportado pela Bahia já apresenta retração de 5,7%.
Além do refino, outros setores estratégicos também registraram queda nos embarques, entre eles:
Na contramão dos setores industriais, a agropecuária apresentou forte crescimento. O valor exportado pelo segmento aumentou 26,9% na comparação com maio de 2025, impulsionado principalmente pelas vendas de soja.
O desempenho positivo do agronegócio ajudou a compensar parcialmente as perdas registradas pela indústria de transformação e pela indústria extrativa.
No setor mineral, as exportações foram impactadas pela redução das vendas de minério de cobre e níquel. O destaque positivo ficou por conta do ouro, que segue valorizado no mercado internacional diante das tensões geopolíticas, das incertezas econômicas globais e do aumento das compras realizadas por bancos centrais ao redor do mundo.
Outro dado que chamou atenção foi a redução da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora da Bahia.
Mesmo após a suspensão judicial de tarifas adicionais de importação impostas anteriormente pela administração do ex-presidente Donald Trump, o mercado norte-americano perdeu espaço entre os principais destinos dos produtos baianos.
A participação dos EUA caiu de 8% para 6,3% no acumulado até maio, indicando um enfraquecimento da presença baiana naquele mercado.
O cenário pode se tornar ainda mais desafiador caso avance a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que discute a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Caso a medida seja aprovada após o período de consulta pública, encerrado em 5 de julho, especialistas avaliam que cerca de 21% das exportações baianas destinadas ao mercado americano poderão ser afetadas.
A combinação entre redução dos embarques industriais, incertezas no comércio internacional e possíveis novas barreiras tarifárias nos Estados Unidos coloca desafios importantes para a economia baiana nos próximos meses.
Embora o agronegócio tenha contribuído para amenizar as perdas, o desempenho das exportações continuará dependendo da recuperação dos setores industriais e da evolução das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.