
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, entrou de vez no debate sobre o possível fim da escala 6×1 no Brasil e declarou apoio à proposta de redução da jornada de trabalho para o modelo 5×2. No entanto, o gestor fez um alerta direto: sem compensação financeira, a mudança pode explodir as contas de prefeituras e empresários.
A declaração foi dada nesta sexta-feira (15), durante o lançamento do Programa IngreSSAr 2026.
“Sou a favor da aprovação da redução da jornada de trabalho 5×2, mas tem que vir uma forma de compensação para as prefeituras e para os empresários”, afirmou Bruno.
Segundo Bruno Reis, estudos apresentados durante reunião da Frente Nacional de Prefeitos apontam que a mudança pode gerar impacto de aproximadamente R$ 30 bilhões para os municípios brasileiros.
O prefeito afirmou que serviços essenciais podem enfrentar dificuldades operacionais caso a medida seja implementada sem planejamento.
“Tem o pessoal da coleta de lixo, do transporte público, da saúde… hospitais funcionam também aos finais de semana”, destacou.
Bruno ainda reforçou que os custos não podem ser empurrados apenas para os municípios.
“Essa conta vai recair sobre alguém e precisa ser compartilhada. Não pode só um lado assumir”, disparou.
A fala do prefeito ocorreu no mesmo dia em que voltou à tona o dado que coloca Salvador como a capital com maior taxa de desemprego do país no primeiro trimestre de 2026.
Segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a capital baiana registrou taxa de desocupação de 10,2%, acima da média estadual e nacional.
Questionado sobre o cenário, Bruno tentou minimizar o impacto dos números e destacou o peso da informalidade na economia da cidade.
“Boa parte das pessoas estão trabalhando, seja como camelôs, ambulantes, feirantes ou barraqueiros de praia”, argumentou.
Apesar do índice negativo, o prefeito afirmou que Salvador tem avançado na criação de empregos com carteira assinada.
Segundo ele, a cidade ficou atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo em geração de vagas formais no primeiro trimestre do ano.
“Nesse primeiro trimestre, nós chegamos a quase 6 mil carteiras assinadas. Fomos a terceira cidade do Brasil”, declarou.
O debate sobre o fim da escala 6×1 tem ganhado força em Brasília e já provoca forte reação entre empresários, sindicatos e gestores públicos, que divergem sobre os impactos econômicos e sociais da proposta.