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Bahia vive explosão da inadimplência e famílias já não conseguem pagar nem o aluguel

Estado tem uma das maiores taxas de atraso do país, enquanto inflação, juros altos e custo de vida sufocam o orçamento dos baianos

Redação
Por: Redação
11/05/2026 às 10h08
Bahia vive explosão da inadimplência e famílias já não conseguem pagar nem o aluguel
Foto: Divulgação

Pagar o aluguel em dia tem se tornado uma realidade cada vez mais distante para milhares de famílias na Bahia. Mesmo com uma leve queda em março, a inadimplência locatícia no estado continua entre as mais altas do país e expõe o agravamento da crise financeira enfrentada pela população.

Dados do Índice de Inadimplência Locatícia, divulgado pela Superlógica, apontam que a taxa de inadimplência na Bahia ficou em 6,46% no terceiro mês do ano. Apesar da redução em relação a fevereiro, quando o índice chegou a 6,84%, o percentual segue muito acima da média nacional, de 3,21%.

O número também supera o índice médio do Nordeste, que registrou 4,77%.

Crise aperta famílias

Na prática, os dados mostram que o peso do aluguel vem esmagando o orçamento das famílias baianas, principalmente entre os mais pobres.

Em março de 2025, a inadimplência no estado era de 4,21%. O salto registrado em um ano reforça o avanço das dificuldades financeiras em meio ao aumento do custo de vida, inflação persistente e juros elevados.

Os imóveis populares concentram os maiores atrasos. Em contratos residenciais de até R$ 1 mil, a inadimplência nacional atingiu 5,98%, o maior percentual entre todas as faixas analisadas.

Já imóveis com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 5 mil tiveram os menores índices de atraso, próximos de 1,9%, evidenciando que a crise afeta principalmente a população de menor renda.

Comércio também sofre

O levantamento mostra que o impacto não se limita às famílias. O setor comercial também enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia.

No Nordeste, os imóveis comerciais registraram inadimplência de 7,65% em março, mesmo após leve queda em relação ao mês anterior.

Casas tiveram taxa de 4,90%, enquanto apartamentos registraram aumento nos atrasos, passando de 2,53% para 3,14%.

Especialistas alertam

Segundo o diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, Manoel Gonçalves, a leve redução registrada em março não representa melhora consolidada.

“A inflação e os juros continuam pressionando os gastos fixos, e qualquer mudança nesses indicadores pode voltar a impactar a capacidade de pagamento dos locatários nos próximos meses”, afirmou.

Nordeste lidera atrasos

O estudo aponta ainda que o Nordeste lidera o ranking nacional de inadimplência locatícia.

Depois da região aparecem:

  • Norte — 4,29%;
  • Centro-Oeste — 3,17%;
  • Sudeste — 3,14%;
  • Sul — 2,77%.

O cenário reforça o impacto da desaceleração econômica sobre as despesas básicas da população, especialmente em estados onde o poder de compra segue mais fragilizado.

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