
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal representa uma resposta do Congresso ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.
Segundo o parlamentar, o resultado da votação reflete insatisfação do Legislativo com a condução política do Executivo. “Foi uma resposta ao governo, que trata mal o poder Legislativo”, afirmou. Ele também disse que a gestão federal “tenta governar usando o Judiciário”.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também criticou a atuação de ministros do Supremo e afirmou que a rejeição de Messias pode abrir espaço para discussões sobre pedidos de impeachment na Corte. Segundo ele, os 42 votos contrários à indicação superam o mínimo de 41 necessários para a abertura desse tipo de processo.
O senador declarou ainda que houve uma “grande articulação” política para barrar a nomeação, classificando o indicado como alguém alinhado ao presidente da República.
Ao comentar a votação do chamado “PL da Dosimetria”, que trata da redução de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, Flávio negou que tenha havido acordo político envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para viabilizar a aprovação da proposta.
O senador também abordou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele solicitou autorização ao ministro Alexandre de Moraes para realizar uma cirurgia no ombro. Segundo Flávio, o procedimento não é considerado urgente e deve ser analisado em breve.
Questionado sobre divergências internas no campo político de direita, o senador minimizou os conflitos e afirmou que há convergência de objetivos. “É como um time de futebol, que discute no vestiário, mas entra em campo com o mesmo objetivo”, disse.
A rejeição de Jorge Messias pelo Senado ocorreu na última quarta-feira (29) e foi considerada um fato inédito desde a redemocratização. O placar foi de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, marcando a primeira vez, desde 1894, que um indicado ao STF não é aprovado.
O episódio foi interpretado por aliados e adversários como um marco político relevante e sinal de dificuldades na articulação do governo federal no Congresso Nacional.